quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Venci

# - 1 - Em 1988 eu era professor do IESK, no Rio.
Ser professor de segundo grau era ótimo.


Tinhamos "liberdade de cátedra" - ninguém poderia mandar em nossa sala.
Um belo dia de 1978 uns caras chegaram dizendo que deveríamos lutar por nossos direitos.
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Eu não queria lutar por nada, tinha um bom trabalho, ganhava vinte vezes o que um professor  ganha hoje (com as greves, meu salário encolheu)
Mas durante dez anos aceitei a loucura das greves.
O ano começava, os professores  entravam em greve em abril e só  voltavam em setembro.
Gerações de alunos de escola pública foram imbecilizados.
Em 1988 todos os quatrocentos e poucos professores do IESK se reuniram para decidir se a escola, como um todo, entraria em greve.
Aí, não topei. Uma greve geral, abstrata, ainda ia.
Mas o IESK todo era um motim.
Não topei.
Subi ao palco e usei os seguintes argumentos:
1 - Em dez anos de greve meu salário havia encolhido. Minha ex-mulher que era no mesmo estado, ganhava vinte vezes menos que eu,professor. Em 88, ganhava só duas vexes mais (hoje empata!)  Ou seja, perdíamos com as greves
2 - A greve de professor do estado era burra. Numa greve numa fábrica o patrão perde dinheiro. Ele não produz, não vende, a greve pressiona-o. Por outro lado, os operários param de receber e, se ficarem muito tempo em greve fazer a fabrica falir e todos perdem tudo. Ou seja, em dado momento nefociam
Na greve dos professores funcionários públicos, ao contrario da fábrica, o patrão,o governador tem lucro,  Economiza luz, água, giz, alimentos de merenda, etc. Ou seja, não pressionam os patrões, ao contrário, dá lucro.
Pior, especificamente, nessa greve, o governador Moreira Franco - que já tinha feito isso antes - garantiu que cortaria os salários. Eu pagava uma pensão alimentícia litigiosa e por isso fui ao juiz e disse que meu salario seria contado. O juiz, gentilmente, disse que quando isso acontecesse ele me colocaria na cadeia em 48 horas.
Eu disse tudo isso e afirmei que não poderia entrar em greve porque entraria em cana.
Pois bem a canalhada disseque eu tinha de entrar em greve assim mesmo.
Então eu disse que era funcionário do Estado do Rio e não do  IESK, Que uma decisão coletiva da escola seria puro motim. Que, quando assumi o cargo -cargo de funcionário tem características semi militares, fazemos juramento e tudo. Quando eu me formara professor, no palco do Teatro Municipal, jurara defender os alunos. Disse que cumpro meus juramentos, que não ia me amotinar
Disse que, de qualquer maneira, apenas eu não fazer greve não ameaçaria a greve.
Bem, quase me mataram. Disseram que a greve não era só salarial, que havia os fatores ideológicos - na verdade a greve era para eleger o Lula no governo federal e o Garotinho no Estado do Rio. Bem, 30 anos depois, após bilhões roubados, os dois estão m cana...
Eu disse que não respondia a eles mas a mim e ao estado, que não era sindicalizado (eu não sabia como sei hoje, que o SEPE não era o sindicato dos professores, mas uma associação que se diz sindicato ilegalmente. O sindicato oficial (só pode haver um) é a UPPES - de Niterói, que nunca fez greves.
Eu havia avisado aos alunos que ficassem atentos que eu iria para sala.
Eu disse aos revoltosos que ia para a sala e que o filho da p.. que tentasse me impedir levaria um tiro
Fui para a sala. Eu usava uma bolsa dessas de médico, grande, e, quando entrei na sala, em minha mesa, uma pequena multidão chegou na porta da sala. Coloquei a mão na pasta e disse:
"O filho da p... que se aproximar leva um teco. Só que eu segurava mesmo era um apagador.
Não sem tumulto, dei aula.
No dia seguinte, meus alunos na porta, o portão fechado.
Mandei os alunos esperarem, peguei o carro e fui ao RPMonte, o quartel da PM, e usando de minhas atribuições de funcionário publico pedi ajuda para abrir a escola e fui legalmente atendido.
Fui levado por um carro de choque e cheguei junto com a diretora comunista - todos eram! - chegava também
- "Puxa, Almar, não precisava disso"
- Precisava sim, se eu não agisse ficaria com a cara no portão.
Dei aulas o resto do ano todo, sozinho.
Um pai de aluno comunista foi reclamar comigo e eu disse que aluno não faz greve e se faz leva falta e é reprovado,inclusive por faltas.
Durante dois anos foi assim.
No terceiro ano, duas professoras aderiram. No fim do ano, outro professor aderiu.
Quando saí, em 2004, quase nenhum professor fazia greve.
No ano passado, tentei visitar o colégio, fui impedido pelos diretores comunistas.
Há alguns anos um aluno meu de reprogramação falou em meu nome para um comunista que tinha uma loja de antiguidades na Estrada da Pedra, em Santa Cruz disse que eu "estava queimado na Zona Oeste". Pode ser.
Mas, de todo modo, me orgulho do ato de coragem que tive em 1988. E, como todos sabem,  o sindicalismo faliu o Brasil e suas lideranças estão em cana por corrupção.
Desculpem, mas eu estava certo
A escola acabou. O IESK está reduzido a três turminhas. O antigo prédio do primeiro grau está fechado. O maternal, um  dia o melhor da América do Sul, também. Professor, hoje, apanha e é morto.
Trinta anos depois quase todos os lideres estão em cana.
Eu ganhei.

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